ECOBIO Produtos Orgânicos
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Um empurrãozinho para os orgânicos

Publicada em 09 de Fevereiro 2011.

Cada vez mais, surgem iniciativas que estimulam o plantio e o consumo de alimentos produzidos sem agrotóxicos como alternativa saudável e social, incluindo, aqui, a recuperação da autoestima dos pequenos produtores aposentados

A produção de alimentos já incorporou toda sorte de novidades tecnológicas – e continua recebendo pesados investimentos – para aperfeiçoar seus processos nos quesitos volume e praticidade. Mas a regra, agora, é bastante simples: aproveite cada espacinho para ter sua própria plantação.
É nessa perspectiva que a Sabesp – Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo - vem concretizando seu projeto “Hortas Comunitárias”, implantado em Baeta Neves, em São Bernardo do Campo, onde atende 21 famílias, e em São Mateus, em São Paulo, beneficiando seis famílias desde 2003.
A ideia é produzir e disponibilizar alimentos para a população do entorno, incentivar o consumo de verduras e legumes e inibir o uso indevido de áreas urbanas. “Além da produção de alimentos a baixo custo, o projeto funciona como uma terapia porque melhora a autoestima de pessoas que se sentiam improdutivas, como os aposentados”, afirma Maria das Graças Beraldo Santiago, analista de sistema de saneamento da Unidade Metropolitana de Produção de Água da Diretoria Metropolitana da Sabesp.
A implantação passa por diagnóstico técnico e socioeconômico, estabelece parcerias e busca a autossustentabilidade, por isso os beneficiados têm treinamento em reciclagem e gestão financeira. Os excedentes produzidos, além de distribuídos aos vizinhos e utilizados para as próprias refeições, são comercializados. O próximo passo é viabilizar a instalação em Guaraú, também em São Paulo.
A hortas são manejadas sem transgênicos, agrotóxicos, adubos químicos ou esterco in natura. As plantas são regadas com água tratada e ganham materiais vegetais nos canteiros. O projeto foi apresentado no dia 23 de abril durante a 16ª Audiência de Sustentabilidade da Sabesp. Informações sobre as audiências, no site da Sabesp.
O QUE ISSO TEM A VER COM EDUCAÇÃO?
Atendendo a pedidos, o Programa Clube Escola, da Prefeitura de São Paulo, que oferece atividades esportivas aos estudantes da rede pública e a seus familiares, desde o futebol até o rugby, como forma de inclusão social criou sua horta também. A favorecida foi a unidade do Jardim São Paulo.
A área verde do clube servirá como ponto de lazer a aprendizado na interação entre homem e meio ambiente. Os alunos vão aprender sobre o uso racional da água, a valorização da natureza, reuso de folhagens e resíduos gerados no clube e, como não poderia deixar de ser, curso teórico e prático de horta orgânica que envolve técnicas de cultivo e reeducação alimentar.
Na opinião do vice-presidente da consultoria MOA Internacional do Brasil, Benedito Tate, que participou da apresentação da diretora do Clube Escola Jardim São Paulo, Ana Maria Schiesari, a sustentabilidade é um modo de conduzir o planeta, portanto, deve ser incorporado como estilo de vida. “As crianças dos grandes centros urbanos precisam saber como é o processo porque não tem o hábito de consumir produtos orgânicos. O fato de os pais comprarem e colocarem na geladeira não vai mudar a situação porque, por uma série de obstáculos, eles não vão comer”. Tate acrescentou, ainda, que no Japão ações semelhantes estão sendo feitas. Por uma questão de espaço, os japoneses plantam até mesmo em vasinhos dentro de casa.
É ORGÂNICO MESMO?
Para ter certeza de que os produtos vendidos como orgânicos são mesmo feito de acordo com as devidas práticas, o consumidor deve verificar se carregam um selo que certifica a produção. A dica é do diretor da Associação de Certificação IBD – Instituto Biodinâmico, José Pedro Santiago.
Segundo o especialista, o selo garante que o alimento foi realmente cultivado sem agrotóxicos ou transgênicos e respeita leis sanitarista, ambiental e trabalhista. A certificação engloba um conjunto de aspectos que não dizem respeito apenas à presença ou não de algumas substâncias químicas na planta, mas da proteção do solo, da água, do descarte correto do lixo gerado e das condições de trabalho dos produtores.
Em geral, o processo de certificação leva cerca de um ano, prazo para a empresa se adequar às conformidades. Em caso de produção perene, como morango, o período aumenta para dois anos e para três se for produto do tipo exportação.
MAS É CARO...
Também presente ao evento, o presidente da Associação de Produtores Horta e Arte de São Roque, Luiz Carlos Trento, justificou o preço dos orgânicos. “Para quatro hectares de plantação na agricultura tradicional tenho dois trabalhadores; para a mesma extensão de terra no cultivo orgânico, preciso de dez pessoas”.
Além disso, há diferenças consideráveis no processo. “A agricultura orgânica usa compostos e defensivos naturais e técnicas de manejo nutricional: se a planta está bem cuidada dificilmente precisará de agrotóxicos. E pensar em matar os bichos é pensamento de agricultor convencional. O orgânico sabe que controlar a mosca-branca e conviver com ela”.
Para Tate, pagar a mais por produtos orgânicos é uma questão de foco: pode ser uma economia nas compras e um gasto futuro com problemas de saúde. “Se os alimentos que consumimos vêm do solo e ele está contaminado isso irá afetar nossa saúde e a do planeta também. Meio ambiente não é só preocupação com ar, água e solo”.